segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como criar um desempenho sustentável

Muito bom este artigo da Harvard Business Review, de janeiro de 2012.

Boa leitura! 


Como criar um desempenho sustentável

Escrito por: 
  • Gretchen Spreitzer e Christine Porath
quarta-feira, 11 janeiro, 2012 - 18:11

Quando a economia vai de mal a pior, quando em certas partes do mundo ter emprego — que dirá um emprego financeira e intelectualmente gratificante — já é sorte, preocupar-se com a felicidade do trabalhador pode parecer um despropósito. Mas, em nosso estudo sobre o que garante o reiterado alto desempenho de uma força de trabalho, descobrimos uma boa razão para esse interesse: o trabalhador feliz produz mais do que o infeliz a longo prazo. Raramente falta no trabalho, tem menos chance de deixar a empresa, não se limita a cumprir o dever e atrai gente igualmente comprometida com o trabalho. Além disso, não é um velocista; está mais para um maratonista, alguém comprometido com o longo prazo.

O que significa, então, ser feliz no trabalho? Não se trata de contentamento, que denota certa acomodação. Quando nós e nossos colegas de pesquisa no Center for Positive Organizational Scholarship (Ross School of Business) começamos a examinar fatores envolvidos no desempenho individual e organizacional sustentado, encontramos uma palavra melhor: vicejar. A nosso ver, uma força de trabalho vicejante é aquela na qual o trabalhador não é apenas satisfeito e produtivo, mas também participa da criação do futuro — o da empresa e o próprio. O trabalhador que viceja tem uma certa inquietação — é altamente energizado —, mas sabe evitar o esgotamento.

Independentemente do setor e da ocupação, descobrimos que quem se encaixava em nossa descrição de vicejante exibia um desempenho geral 16% melhor (conforme indicado pelos chefes) e 125% menos esgotamento (segundo relato do próprio indivíduo) do que outros trabalhadores. Era 32% mais comprometido com a organização e 46% mais satisfeito com a atividade. Também faltava muito menos ao trabalho e relatava bem menos visitas ao médico, o que significava economia com plano de saúde e menos tempo perdido para a empresa.

Identificamos dois componentes desse viço. O primeiro é a vitalidade: a sensação de estar vivo, motivado, empolgado. Num ambiente com vitalidade, o trabalhador se sente energizado e energiza os outros. Uma empresa gera vitalidade ao dar às pessoas a sensação de que aquilo que realizam diariamente faz diferença.

O segundo componente é a aprendizagem: o crescimento decorrente da obtenção de novos conhecimentos e habilidades. A aprendizagem pode conferir uma vantagem técnica e o status de especialista. E pode deflagrar um ciclo virtuoso: gente que está desenvolvendo as próprias habilidades tende a acreditar em seu potencial para crescer mais ainda.

Esses dois atributos atuam em conjunto; um sem o outro dificilmente será sustentável e pode até prejudicar o desempenho. A aprendizagem, por exemplo, cria embalo por um tempo, mas sem paixão pode levar ao esgotamento. O que farei com tudo o que aprendi? Por que deveria permanecer nesse emprego? Já vitalidade por si só — mesmo quando a pessoa adora os elogios que recebe por exibir resultados — pode ser embotadora: quando o trabalho não permite nenhum aprendizado, é a repetição da mesma coisa vez após vez.

A combinação de vitalidade e aprendizagem produz trabalhadores que conseguem resultados e acham maneiras de crescer. Seu trabalho é gratificante não só porque executam com êxito o que se espera deles hoje, mas também porque conseguem ver para onde eles e a empresa estão indo. Em suma, estão vicejando, e a energia que criam é contagiante.

Como a organização pode ajudar o pessoal a vicejar

Há trabalhadores que vicejam não importa o contexto. É gente que naturalmente infunde vitalidade e aprendizagem no que faz e que inspira aqueles a seu redor. Um gerente de contratação sagaz buscará esse tipo de indivíduo. A maioria dos trabalhadores, contudo, é influenciada pelo entorno. Até os predispostos a vicejar podem sucumbir sob pressão.

A boa notícia é que — sem medidas heroicas ou grande investimento financeiro — líderes e gerentes podem produzir uma cultura que incentive o pessoal a vicejar. Ou seja, podem vencer a inércia organizacional para promover o viço e a produtividade que se segue — em muitos casos, com uma mudança relativamente modesta em atenção.

Num mundo ideal, a empresa seria abençoada com uma força de trabalho repleta de gente que naturalmente viceja. Mas é possível tomar uma série de medidas para produzir e manter o entusiasmo. Nosso estudo revelou quatro mecanismos que criam as condições para um trabalhador vicejar: dar liberdade para a tomada de decisões, compartilhar informações, minimizar a incivilidade e dar feedback sobre o desempenho. Esses mecanismos se sobrepõem um pouco. Se deixar o indivíduo tomar decisões, mas lhe der informações incompletas ou deixá-lo exposto a reações hostis, a pessoa vai sofrer em vez de vicejar. Sozinho, um mecanismo fará parte do trabalho — mas todos os quatro são necessários para criar uma cultura em que todos vicejem. Vejamos um de cada vez.

Dar liberdade para a tomada de decisões

Em qualquer nível, o trabalhador é energizado pela capacidade de tomar decisões que afetam seu trabalho. Conferir esse poder à pessoa faz com que tenha um senso maior de controle, mais voz em como as coisas são feitas e mais oportunidades para aprender.


O setor de aviação comercial pode parecer um lugar improvável para encontrar essa liberdade para a tomada de decisões (e muito menos uma força de trabalho vicejante), mas peguemos uma empresa que estudamos: a Alaska Airlines, que criou uma cultura de “empowerment” que contribuiu para uma incrível guinada nos últimos dez anos. No início da década de 2000, com os resultados da empresa piorando, a alta administração resolveu lançar o Plano 2010, que solicitava expressamente a opinião do pessoal para decisões que viriam melhorar o serviço sem abalar a reputação de pontualidade da companhia aérea. O pessoal foi orientado a deixar de lado a noção que então tinha de “bom” atendimento e considerar novas maneiras de contribuir, sugerindo ideias que pudessem levar o serviço de bom a verdadeiramente excelente.

O pessoal do balcão de atendimento aderiu ao programa — que deu a todos, por exemplo, liberdade para resolver o problema de gente que tinha perdido o voo ou deixado de embarcar por algum outro motivo. Ron Calvin, diretor da região leste, contou que havia pouco recebera uma chamada no celular de um cliente com quem não tivera contato desde que trabalhara no aeroporto de Seattle, cinco anos antes. O netinho de três meses daquele cliente acabara de ter uma parada cardíaca e os avós, que estavam em Honolulu, tentavam voltar a Seattle. Todos os voos estavam lotados. Ron fez um punhado de chamadas e achou um lugar para os dois imediatamente. Naquele dia, o avô lhe mandou uma mensagem pelo celular em que dizia apenas “Chegamos”.

Esse empenho para atender a necessidades isoladas sem atrasar voos rendeu à empresa a primeira colocação em rankings de pontualidade e uma estante cheia de troféus. A companhia aérea também cresceu consideravelmente em novos mercados, incluindo Havaí, meio oeste e costa leste dos Estados Unidos.

O caso da Southwest é mais famoso, sobretudo pela cultura sabidamente descontraída e atenciosa da empresa. Ali, é comum um comissário de bordo cantar, brincar e, em geral, entreter quem viaja. Além disso, esse pessoal irradia energia e vontade de aprender. Um deles decidiu dar as instruções de segurança antes da decolagem no formato de um rap. Tinha motivação para colocar em ação seu talento especial. Os passageiros adoraram: disseram que pela primeira vez tinham prestado atenção de verdade às instruções.

No Facebook, a liberdade para tomar decisões é fundamental para a cultura. Um funcionário postou um comentário no site expressando surpresa, e prazer, com o lema da empresa: “Move fast and break things” (“aja rápido e quebre coisas”), que incentiva o pessoal a decidir e agir. No segundo dia de trabalho, aquele funcionário encontrou uma solução para um bug complicado. Achou que haveria um exame por toda a chefia, mas seu superior, o vice-presidente de produtos, sorriu e disse: “Manda bala”. O rapaz ficou pasmo por ter criado, tão cedo, uma solução que instantaneamente chegaria a milhões de pessoas.

Para os superiores, o desafio é não retroceder no empowerment quando o pessoal comete erros. Uma situação dessas cria as melhores condições para o aprendizado — não só para as partes envolvidas, mas também para outros, que podem aprender de forma indireta.

Compartilhar informações

Desempenhar suas funções num vazio de informação é maçante e não inspira; não há razão para buscar soluções inovadoras quando não dá para ver o impacto maior. Um indivíduo pode dar uma contribuição mais eficaz quando entende como seu trabalho se encaixa na missão e na estratégia da organização.

A Alaska Airlines optou por investir o tempo da administração para ajudar o pessoal a ter uma visão mais ampla da estratégia. O Plano 2010 foi lançado com uma comunicação tradicional, mas também com um road show que se estendeu por meses e sessões de capacitação para ajudar o trabalhador a compartilhar ideias. Até hoje, o presidente, o superintendente e o diretor de operações saem em campo a cada três meses para colher informações sobre peculiaridades de distintos mercados; em seguida, disseminam o que descobriram. Os benefícios aparecem em indicadores anuais do orgulho que o pessoal sente pela empresa — agora chegando à espetacular marca de 90%.

Na Zingerman’s (uma comunidade no estado americano de Michigan que reúne empresas do setor alimentício e para a qual colaborou Wayne Baker, um colega nosso no Center for Positive Organizational Scholarship), a informação é o mais transparente possível. Embora a organização nunca tenha retido deliberadamente os resultados — a informação financeira sempre esteve à vista para todo funcionário ver —, quando estudaram a gestão com livro aberto (“open book management”) em meados da década de 1990, os cofundadores Ari Weinzweig e Paul Saginaw passaram a acreditar que todo trabalhador mostraria mais interesse se estivesse envolvido no “jogo”.

Implementar uma política de livro aberto mais formal e relevante não foi fácil. O pessoal podia conferir os números, mas tinha poucos motivos para se interessar pela informação e não entendia muito bem a relação dos dados com seu trabalho diário. Nos primeiros cinco ou seis anos, a empresa lutou para inserir o conceito em seus sistemas e rotinas e para fazer o pessoal assimilar o que Baker chama de rigor do “huddle”: o termo em inglês para a reunião semanal em torno de um quadro branco na qual a equipe monitora resultados, mantém um placar e projeta números da semana seguinte. Embora entendesse as regras da gestão com livro aberto, o pessoal no começo não via o sentido de incluir mais uma reunião em sua agenda já atribulada. Foi só quando a alta liderança tornou obrigatório o huddle que o pessoal entendeu o verdadeiro propósito dos quadros brancos, que exibiam não só resultados financeiros, mas também indicadores de serviço e qualidade da comida, médias de contas, dados internos de satisfação e “diversão”, o que poderia incluir de concursos semanais a indicadores de satisfação do cliente, passando por ideias de funcionários para inovação.

Certas empresas da Zingerman’s começaram a instituir “minijogos”: incentivos de curto prazo para corrigir um problema ou explorar oportunidades. A equipe de um restaurante da comunidade, o Road-
house, usou o jogo da “saudação” para determinar quanto tempo demorava para um cliente receber as boas-vindas. Clientes que não eram saudados exibiam menor satisfação — e o pessoal volta e meia se pegava dando cortesias para compensar falhas no atendimento. O jogo desafiou o pessoal da recepção a saudar no prazo de cinco minutos todo cliente que entrava, com uma recompensa financeira modesta para 50 dias seguidos de sucesso — e inspirou essa turma a rapidamente descobrir e corrigir falhas no processo de atendimento, cuja nota melhorou consideravelmente no decorrer de um mês. Outras empresas da Zingerman’s lançaram jogos semelhantes, com incentivos para entrega mais rápida, menos acidentes com facas na padaria (o que reduziria custos de seguro) e uma cozinha mais arrumada.



Naturalmente, os jogos criaram certa tensão interna, pois além de boas notícias também trazem más, o que pode abalar o moral. Mas, no geral, aumentaram muito o senso de posse do pessoal da linha de frente, contribuindo para um melhor desempenho. De 2000 a 2010 a receita da Zingerman’s subiu quase 300%, para mais de US$ 35 milhões; os líderes da empresa consideram a gestão com livro aberto um fator crucial desse sucesso.

Relatos simples dão credibilidade a essa afirmação. Dois anos atrás, por exemplo, vimos Ari Weinzweig dar uma palestra no Roadhouse. Um convidado perguntou se era realista esperar que o garçom ou o ajudante típicos entendessem a estratégia e as finanças da empresa. Em resposta, Ari se dirigiu a um ajudante de cozinha que não vinha tomando parte na conversa: o adolescente se incomodaria de dizer qual a visão da Zingerman’s e indicar se o restaurante estava cumprindo ou não as metas semanais? Sem pestanejar, o rapaz resumiu a visão com as próprias palavras e, em seguida, contou como o restaurante vinha se saindo naquela semana no quesito “pratos enviados de volta à cozinha”.

Embora a Zingerman’s seja uma empresa relativamente pequena, outras bem maiores — como os supermercados Whole Foods e a empresa de transportes YRC Worldwide — também adotaram a gestão com livro aberto. Sistemas que deixam a informação amplamente à vista geram confiança e dão ao trabalhador o conhecimento de que precisa para chegar a boas decisões e tomar a iniciativa com confiança.

Minimizar incivilidade

O custo da incivilidade é imenso. Em estudo realizado com Christine Pearson, professora da Thunderbird School of Global Management, descobrimos que metade dos trabalhadores que haviam sido alvo de condutas incivis no trabalho tinham intencionalmente diminuído seu esforço. Mais de um terço derrubara deliberadamente a qualidade do trabalho. Dois terços perdiam muito tempo evitando o ofensor e aproximadamente a mesma parcela dizia que seu desempenho piorara.

A maioria das pessoas já foi alvo de grosserias no trabalho. Eis um punhado de declarações de nossa pesquisa:

“Meu chefe me pediu para preparar uma análise. Era meu primeiro projeto, e ninguém me deu nenhuma instrução ou exemplo. Ele me disse que o trabalho estava uma porcaria”.

“Meu chefe disse: ‘Se quisesse saber o que você acha, teria perguntado’.”

“Meu chefe me viu tirar um clipe de metal de uns papéis e jogá-lo na lixeira. Na frente dos meus 12 subordinados, me repreendeu (…) e me mandou pegar o clipe de volta.”

“No viva-voz, na frente dos colegas, meu chefe me disse que o trabalho que eu fizera era ‘primário’.”

Ouvimos centenas de histórias — que, infelizmente, soam bem conhecidas para a maioria daqueles que trabalham. Mas não ouvimos tanto sobre os custos. A incivilidade impede que as pessoas vicejem. Quem foi alvo de grosserias volta e meia exibe, também, um comportamento incivil. Sabota os colegas. “Esquece” de copiar colegas em comunicações. Espalha fofocas para desviar a atenção. Diante da incivilidade, um trabalhador tende a estreitar o foco para evitar riscos — perdendo, no processo, oportunidades de aprender. Uma consultoria de gestão que estudamos, a Caiman Consulting, foi fundada como uma alternativa a firmas maiores. Instalada no estado americano de Washington, em espaços que não são particularmente elegantes, a empresa é reconhecida pela cortesia de sua cultura. A checagem de antecedentes no processo de contratação inclui verificar o histórico de civilidade do candidato.

“As pessoas deixam um rastro”, diz o dire-tor da Caiman, Greg Long. “É possível evitar uma cultura corrosiva sendo cuidadoso e cons-ciente logo no começo.”  O diretor-gerente, Raazi Imam, disse: “Não tenho tolerância para gente que esculacha ou desrespeita os outros”. Quando isso acontece, Imam chama o ofensor de lado para deixar clara sua política. Long atribui a taxa de retenção da empresa — 95% — a sua cultura.

A Caiman rechaça candidatos altamente qualificados que não combinam com essa cultura. Também mantém uma lista de consultores que poderiam ser um aporte à firma para o caso de uma vaga abrir. A diretora de RH, Meg Clara, coloca fortes habilidades interpessoais e inteligência emocional entre os principais critérios para a contratação.

Na Caiman, como em toda empresa, os chefes dão o tom quando o assunto é civilidade. Uma única maçã podre pode tirar a cultura do prumo. Um jovem gerente contou o caso da chefe, uma executiva que tinha o hábito de gritar, de sua sala, “Você cometeu um erro!” por uma falta mínima como um erro de digitação. Sua voz ressoava no espaço, fazendo todo mundo se encolher e o destinatário sentir um profundo constrangimento. Na esteira, os colegas se reuniam numa área comum para tomar café e comiserar. Uma pessoa ali de dentro nos contou que a conversa não girava em torno de como subir na empresa ou aprender a ignorar o abuso — mas em uma maneira de se vingar e cair fora.

Em nosso estudo, ficamos surpresos com o reduzido número de empresas que consideram a civilidade — ou a incivilidade — ao avaliar um candidato. A cultura de uma empresa é inerentemente contagiosa; trabalhadores são assimilados ao entorno. Em outras palavras, se buscar civilidade ao contratar, é mais provável que esse traço seja integrado a sua cultura.

Dar feedback sobre o desempenho

O feedback abre oportunidades para o aprendizado e gera a energia tão crucial para uma cultura em que todos vicejam. Ao eliminar a sensação de incerteza, o feedback mantém atividades ligadas ao trabalho focadas em metas pessoais e organizacionais. Quanto mais rápido e mais direto, mais útil o feedback.

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O “huddle” da Zingerman’s, descrito lá atrás, é uma ferramenta para a partilha em tempo quase real de informações sobre o desempenho de indivíduos e do negócio. Líderes traçam altos e baixos diários no quadro branco — com a expectativa de que o pessoal assuma a responsabilidade pelos números e sugira ideias para endireitar o rumo, quando necessário. Essas reuniões incluem, ainda, “códigos vermelhos” e “códigos verdes”, que registram queixas e elogios de clientes de modo que todo funcionário possa aprender e crescer com base em feedback imediato e tangível.

A Quicken Loans, empresa de crédito imobiliário que mede e premia o desempenho de funcionários como nenhuma outra organização, dá um feedback de desempenho continuamente atualizado usando dois tipos de indicador: um “ticker” e um painel kanban (o kanban, que em japonês significa “sinal”, é usado com frequência em operações).

O ticker tem vários painéis exibindo indicadores individuais e coletivos, além de dados que indicam a probabilidade de um indivíduo de cumprir suas metas diárias. As pessoas são programadas para responder a pontuações e metas, de modo que os indicadores mantêm todas energizadas ao longo do dia; na prática, estão competindo com seus próprios números.

O painel kanban permite que gerentes monitorem o desempenho das pessoas para que saibam quando um funcionário ou uma equipe precisam de algum coaching ou outro tipo de assistência. Uma versão do painel kanban também é exibida em monitores, com uma lista (que vai mudando) dos 15 melhores vendedores em cada quesito. Funcionários estão em constante competição para entrar para as listas, que são quase como um ranking das maiores pontuações num game.

O pessoal podia se sentir sobrecarregado ou até oprimido pela natureza constante do feedback. Mas não. As normas fortes da empresa quanto a civilidade e respeito, e para dar voz ao pessoal sobre a forma como realiza seu trabalho, criam um contexto no qual o feedback é energizante e promove o crescimento.

O escritório internacional de advocacia O’Melveny & Myers louva o uso de avaliações de 360 ​​graus para ajudar o trabalhador a vicejar. O feedback é aberto e sintetizado — em vez de compartilhado textual-
mente —, o que contribuiu para uma taxa de resposta de 97%. Carla Christofferson, sócia-gerente do escritório em Los Angeles, descobriu, ao receber sua avaliação, que os outros consideravam seu comportamento conflitante com o expresso compromisso da firma com o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho — e que isso vinha causando estresse entre o pessoal. A advogada começou a passar menos tempo no escritório e a limitar o trabalho no fim de semana a coisas que pudesse fazer em casa. Virou um exemplo de equilíbrio, o que contribuiu muito para dissipar o temor de gente que queria ter uma vida fora do trabalho.

Os quatro mecanismos que ajudam o trabalhador a vicejar não exigem grande esforço ou investimento. O que exigem são líderes dispostos a dar poder ao pessoal e a dar o exemplo. Como observamos lá atrás, cada mecanismo oferece um ângulo distinto e necessário para que todos vicejem. Não dá para escolher um ou dois de uma lista; um mecanismo reforça o outro. Alguém, por exemplo, vai se sentir à vontade para tomar decisões se não tiver informações fidedignas sobre os números atuais? Vai poder tomar boas decisões se tiver medo de ser ridicularizado?

Para criar as condições para que todos vicejem é preciso uma atenção concertada. Ajudar alguém a crescer e a se manter energizado no trabalho é algo valioso por si só — mas que também pode melhorar o desempenho da empresa de forma sustentável. 

Gretchen Spreitzer é professora de administração e organizações na Ross School of Business (University of Michigan), nos EUA.
Christine Porath é professora assistente da McDonough School of Business (Georgetown University), nos EUA.

Para outros artigos, acesse: http://www.hbrbr.com.br

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Concluída volta ao mundo em barco movido a energia solar

Um dos mais ousados desbravamentos contemporâneos dos mares chegou ao fim nesta última semana, em Mônaco. O catamarã PlanetSolar completou a volta ao mundo no tempo recorde de 600 dias.
Além do percurso que já é naturalmente uma ousadia grande, a embarcação concluiu o roteiro utilizando apenas energia solar captada por painéis fotovoltaicos instalados na embarcação.
O projeto, liderado pelo engenheiro suíço Raphael Domjan, teve como principal objetivo mostrar ao mundo que a substituição das fontes de energia tradicionais pela energia solar não é uma utopia e pode ser aplicada aos projetos mais ambiciosos.
A aventura começou em setembro de 2010, saindo do principado que foi também o destino final. O caminho não foi fácil, pois a embarcação, apesar de ter autonomia de 3 mil quilômetros com as baterias carregadas, possui velocidade inferior às embarcações tradicionais do mesmo porte, além de ter enfrentado condições meteorológicas desfavoráveis em diversos trechos, o que comprometeu o seu abastecimento. Mesmo com todas as dificuldades, o PlanetSolar concluiu o trajeto no período previsto no início da jornada.
A aventura ganhou destaque no Greenstyle em 26 de agosto de 2011. Nessa oportunidade, o barco tinha acabado de se tornar o primeiro alimentado por energia solar a desbravar o Mar da China e a viabilidade do uso da energia solar para o projeto já era considerada como incontestável.
* Com informações de UOL

PRÊMIO ECO 2012

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO ECO 2012.

Para mais informações, acesse o site: http://www.premioeco.com.br/premioeco/index_html

Histórico

Lançado pela Amcham em 1982, o Prêmio ECO® foi pioneiro no reconhecimento de empresas que adotam práticas socialmente responsáveis e gerou uma rica reflexão sobre o desenvolvimento empresarial sustentável no Brasil. O nome ECO, fusão das palavras empresa e comunidade, traduz o interesse de seus criadores em fazer dele um instrumento de compromisso corporativo com o desenvolvimento social.
Ao longo dos anos o Prêmio ECO ganhou reconhecimento pela antecipação de tendências e por sua influência positiva no comprometimento das empresas com o tema da sustentabilidade. Já mobilizou 2.064 companhias brasileiras e multinacionais, que inscreveram 2.563 projetos, 225 deles premiados.
Em 2008, o Prêmio ECO passou a ser uma realização conjunta da Amcham e do jornal Valor Econômico, que uniram forças a fim de multiplicar o conceito da gestão empresarial para a sustentabilidade. A premiação foi estendida a todas as classes de empresas atuantes no País – inclusive as públicas –, segmentadas por porte, o que incentivou a participação de pequenas e médias. Com a implantação do site oficial, as inscrições e o envio dos dados relativos aos projetos passaram a ser feitos obrigatoriamente online. Além de dar ao processo mais agilidade, o recurso eliminou o uso do papel e padronizou a forma como os trabalhos são visualizados pelos jurados. 
Em 2009, o Prêmio ECO, procurando valorizar a importância da inovação aliada à sustentabilidade, passou a ter como foco o tema Inovação Sustentável na Gestão dos Negócios. Também em 2009 foi lançado o projeto Open House, que leva empresas para conhecer de perto grandes referências corporativas na aplicação de práticas sustentáveis, e foram criados comitês e eventos ligados a esse tema em várias unidades regionais da Amcham. 
Em 2011 o escopo do Prêmio ECO foi ampliado ainda mais. O tema central, Estratégia, Liderança e Inovação, teve o objetivo de identificar cases empresariais produzidos por novas ideias, novos conceitos e novas formas de fazer negócios. Desse conceito surgiram as modalidades ELIS (Estratégia, Liderança e Inovação para a Sustentabilidade) e Práticas de Sustentabilidade – esta subdividida em duas categorias, Sustentabilidade em Processos e Sustentabilidade em Produtos ou Serviços. Também em 2011 o Prêmio ECO criou um banco de práticas, que permite ao público conhecer em detalhe os trabalhos inscritos na premiação desde 2008. Outra ação diferenciada foi a série de almoços de planejamento reunindo nomes importantes da sustentabilidade no País, como Ricardo Young, ex-presidente do Instituto Ethos, Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&F Bovespa, e Aron Belinky, que participa dos preparativos para a Rio+20. O Prêmio foi lançado em várias cidades do País, em eventos que tiveram a participação de grandes especialistas. 
Essas novidades contribuíram para que fosse registrado um aumento de 32% no total de projetos inscritos em relação a 2010. Foram 108 trabalhos de 85 empresas, das quais 22 pequenas e médias e 63 de grande porte. Treze unidades de Federação estiveram representadas.  Os projetos foram avaliados por um corpo de jurados especializados, e nossa equipe visitou os vencedores, o que proporcionou à premiação ainda mais credibilidade.

Seminário Internacional Pare Pense 2012














Sobre o seminário



O Pare Pense é um seminário internacional promovido pela ONG Parceiros Voluntários e pelo Consulado Geral dos Estados Unidos da América em São Paulo que tem por objetivo promover e oportunizar reflexões sobre os rumos do desenvolvimento do Ser Humano no Século XXI.
Desde sua primeira edição, no ano de 2002, o Pare Pense fomenta diálogos sobre a relação do ser humano com aspectos relevantes para seu desenvolvimento através de abordagens multidisciplinares e multiculturais.Saiba mais sobre as edições anteriores do seminário.

O que você verá em 2012

Atualmente, toda a ordem social, política e econômica que sustenta o nosso dia-a-dia, incluindo as Universidades, necessita urgentemente abrir espaços para diálogos amplos e profundos com a sociedade. É preciso uma reflexão de ordem filosófica, sociológica e histórica, pois esta é a melhor maneira de se lançar pontes entre comunidades diversas, uma vez que é por meio da cooperação de pessoas de crenças diferentes, trabalhando juntas em prol do bem comum, que se fortalece o Capital Social, proporcionando, assim, o desenvolvimento.

Faça sua inscrição no site: http://parepense.parceirosvoluntarios.org.br/

terça-feira, 17 de abril de 2012

Seminário de Gestão Sustentável de Resíduos em Porto Alegre

Informações e inscrições através do site: http://www.institutocidadesustentavel.com.br/cidade-bem-tratada/programacao.html




PROGRAMAÇÃO

Data: 19 e 20 de abril de 2012.
Local: Auditório do GBOEX
Realização: Instituto Cidade Sustentável / ICS
Organização: Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Vereadores Porto Alegre.
Apoio: Governo do Estado do RS; Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Ministério Público do RS; FAMURS; ANAMMA, Comissão de Direito Ambiental da OAB/RS; SOS Mata Atlântica, Frente Parlamentar Ambientalista.
Dia 19/04/2012 – Quinta-feira
9.00hs 
Mesa de Abertura Com Autoridades e Organizadores e Lançamento Da Frente Parlamentar Ambientalista do RS.
9h30 min
1º) PAINEL: A Politica Nacional de Resíduos Sólidos: Plano Nacional, Estadual, Municipais de Resíduos. Lançamento da Cartilha do Ministério do Meio Ambienta.
Painelista: Nabil Bonduki: Secretário Nacional de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
Coordenador: Beto Moesch
Debatedores: Representantes da ABEMA e Darci Zanini ANAMMA/RS
11h15min
2º) PAINEL: Consórcios Públicos: Possibilidades de implantação de soluções Compartilhadas entre os Municípios.
Painelista: Ary Vanazzi - presidente do consórcio Pró Sinos
Coordenador: Paulo Sérgio da Silva – Presidente do ICS
Debatedores: Representantes do TCE e Nanci Begnini Giugno – Presidente ABES/RS);
Tarde:
14:00hs
3º PAINEL: Instrumentos do PNRS: LOGÍSTICA REVERSA
Painelista: Paulo Roberto Leite - Presidente Conselho Logística Reversa do Brasil);
Coordenador: SMAM
Debatedores: Marta Vieira Pacheco MP/RS e ANDEF.
15h15min
4º PAINEL: Instrumentos do PNRS: RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA
Painelista: Carmen Níquel (FEPAM);
Coordenadora: Rejane Pieratti
Debatedores: André Vilhena/ CEMPRE e CBIC.
16h45min
5º PAINEL: Instrumentos do PNRS: Incentivos, Tributação e Financiamento.
Painelista: Ministério das Cidades (Cotrim)
Debatedores: Mauro Bernardes; SEMA e SEFAZ;
DIA: SEXTA 20/04/2012
9.00 h
6º PAINEL: O aproveitamento dos Resíduos Sólidos como fonte de energia renovável.
Painelistas: Gerhard Meier CEO da MVA/ Ingolstadt – Baviera/ Alemanha e Milton Nório Sogarbe (CETESB), Representante da Prefeitura de Porto Alegre.
Coordenador: Milton Nório Sogarbe/ Cetesb
10h30min
Debatedores: Washington Novaes – Escritor, Jornalista do Jornal Estado de São Paulo
Debatedores: Paulo Celso Secretaria do Meio Ambiente do DF e Odilon Francisco Duarte (Centro de eficiência energética/PUC) e Associação Nacional dos Catadores. 

Felicidade pode ser pauta da Rio+20

Entidades da sociedade civil internacionais e brasileiras estão se mobilizando para inserir o tema felicidade na agenda de debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20,  que ocorrerá no Rio de Janeiro, em junho próximo.
Essa inserção, entretanto, tem um propósito específico, segundo afirmou nesta segunda-feira (16)  à Agência Brasil o criador do movimento não governamental Mais Feliz, Mauro Motoryn. “Mais do que a medição de um índice, [queremos] é o estabelecimento de políticas públicas baseadas na felicidade do cidadão”, declarou.
O tema será abordado pelo Senado, no próximo dia 26, em audiência pública a ser realizada pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional sobre Mudanças Climáticas, que integra a Comissão de Relações Exteriores. Participarão do evento o Movimento Mais Feliz, a Fundação Getulio Vargas e representantes de entidades da sociedade civil envolvidas com a Rio+20.
A proposta de transformação da felicidade em política pública está tramitando no Congresso Nacional por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19/2010, cujo relator é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Mauro Motoryn acredita que a  PEC irá a plenário até o início de junho.
“A PEC tem plenas condições de ser aprovada. No começo, todo mundo questionava [o debate sobre] a felicidade, mas hoje é uma questão de editorial na mídia mundial,  [que está] nas articulações dos grandes pensadores da economia comportamental e em instituições de Harvard e na Fundação Getulio Vargas”, disse.
De fato, o tema da felicidade vem ganhando espaço nas pautas de vários países do mundo. O primeiro Relatório  Mundial sobre  Felicidade, divulgado este mês pela Organização das Nações Unidas (ONU), apontou a Dinamarca como o país onde os cidadãos se sentem mais felizes com a sua vida. Em seguida, vem a Finlândia. O Brasil aparece na 25ª colocação, entre 156 nações.
Mauro Motoryn explicou que o relatório privilegia os fatores sociais, nos quais o Brasil ainda apresenta “falhas gritantes”, a exemplo dos baixos índices em educação e saúde.
“A gente não pode confundir um país alegre com um país feliz do ponto de vista daquilo que recebe do Estado. Ou seja, nós temos deficiências graves na área da educação, de saúde, e isso influi decisivamente na colocação que ocupamos [no relatório]”.
Alana Gandra, da Agência Brasil

WWF Brasil - Entidades civis e empresas se unem para combater a devastação ambiental e o trabalho escravo na produção de carvão vegetal

por Aldem Bourscheit
Nove empresas e o Instituto Carvão Cidadão (MA) foram os primeiros a 
assinar nesta quinta (12) um compromisso com entidades civis para reduzir impactos socioambientais na produção do carvão vegetal usado pela siderurgia. 

O acordo, firmado por DNA Carvoejamento e DNA Energética, Libra Ligas, Mahle, Rotavi, Simasul, Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré, Vetorial e Atelmig, faz parte de uma agenda inédita construída entre Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Rede Nossa São Paulo, WWF-Brasil e Fundación Avina junto ao empresariado com as direções para que a cadeia produtiva de carvão vegetal siderúrgico se torne mais sustentável. 

“Será um esforço conjunto para transformação de mercados com grande influência na conservação da biodiversidade, alterando processos que não deveriam mais existir em nossa sociedade, como a destruição gratuita de ambientes naturais e formas degradantes de trabalho”, lembrou a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.

O compromisso (atalhos ao lado) será reforçado com a adesão gradual de novas empresas e outros segmentos ligados à produção de aço. O objetivo é garantir que em todos os elos da cadeia ocorra rastreabilidade das matérias-primas e produtos, que sejam usadas fontes legais e renováveis na produção de carvão, ferro-gusa e aço e que se construam incentivos econômicos para a produção correta. Além disso, é necessário aumentar a eficiência na produção de carvão, bem como desenvolver e aplicar políticas públicas que apóiem todas essas transformações.

O processo envolverá produtoras de ferro gusa, de carvão vegetal, de madeira plantada, mineradoras, indústrias de fabricação ou que utilizem o aço (cadeia compradora), entidades setoriais, organizações da sociedade civil, trabalhadores, diferentes níveis de governo e financiadores. Uma das metas é eliminar até 2020 um déficit de cem milhões de hectares em florestas plantadas para produção de carvão siderúrgico.
“Por isso é fundamental que tenhamos linhas de financiamento de longo prazo para plantio em áreas degradadas”, lembrou Caio Magri, gerente-executivo de Políticas Públicas do Instituto Ethos.

Segundo a Associação Mineira de Silvicultura (AMS), a demanda por carvão vegetal no Brasil atingiu 9,2 milhões de toneladas em 2007. Considerando que, de acordo com o Governo Federal, são necessárias 48 árvores para a geração de uma tonelada de carvão, estima-se que mais de 440 milhões de árvores tenham sido derrubadas em 2007 para a produção desse combustível.  A AMS também revela que aproximadamente 70% do carvão consumido em 2009 veio de matas nativas. 

“Aumentar a área com florestas plantadas é uma necessidade real, todavia, apontar onde e como os plantios acontecerão é fundamental para que evitemos mais impactos socioambientais. Assim reduziremos a pressão sobre a vegetação nativa, especialmente em biomas como o Cerrado, os impactos diretos e indiretos sobre populações e traremos mais indústrias para o caminho da sustentabilidade”, lembrou Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil.

De acordo com os dados preliminares da pesquisa Combate à devastação ambiental e trabalho escravo na produção do ferro e do aço, são necessárias 3,6 toneladas de madeira (6 m³) para se produzir uma tonelada de carvão vegetal. Logo, para viabilizar uma produção de 12 milhões de toneladas de ferro-gusa por ano, são necessários ao menos 50 milhões de m³ de carvão. A comparação desse número total com o da produção originada nas florestas plantadas disponíveis (20 milhões de m³) aponta para um “rombo” de 30 milhões de m³ “não contabilizados” que devem estar sendo retirados legal ou ilegalmente de vegetações nativas. 

A íntegra da pesquisa será apresentada nos próximos dias, mas os dados preliminares levantados pela Papel Social Comunicação e pela ONG Repórter Brasil por mais de um ano estabelecem ligações entre o carvão ilegal e algumas das maiores siderúrgicas brasileiras e mundiais, com desdobramentos que se estendem por importantes setores da economia: automobilístico, autopeças, maquinários e construção civil, entre outros. São companhias privadas que atuam no ramo da siderurgia, além de montadoras de veículos automotores e instituições financeiras de desenvolvimento industrial. 

Ainda este ano, entidades civis e empresas devem implantar projetos piloto de produção sustentável totalmente rastreada e auditada de forma independente, bem como aprofundar, entre outras ações, princípios e critérios para a produção sustentável de carvão vegetal. 

O aço representa 90% dos metais consumidos pela população mundial. No Brasil, o segmento é controlado por 28 grandes usinas, espalhadas por dez estados e administradas por nove empresas. Ano passado, o país produziu 48 milhões de toneladas de aço bruto, mas ainda foi necessário importar material para suprir a demanda interna. Mesmo com tais dimensões, outras práticas arcaicas podem ser eliminadas dessa cadeia produtiva.

Além da comum ausência de carteira assinada, a mão de obra escrava ou degradante nas carvoarias é identificada por haver casos de jornadas excessivas, comida insuficiente e alojamentos hostis a uma qualidade mínima de sobrevivência. Situações ainda mais graves envolvem o isolamento geográfico, a vigilância armada e a chamada “peonagem” por dívidas, ou seja, quando o trabalhador é coagido a permanecer no serviço para pagar supostos débitos, cobrados ilegalmente, de alimentação, transporte e outros. 

De acordo com a atualização semestral da “lista suja” do trabalho escravo, realizada em dezembro de 2010, 53 dos 220 empregadores incluídos na lista estavam ligados à cadeia produtiva do carvão. A lista suja é um cadastro mantido pelo Governo Federal com os empregadores flagrados cometendo o crime e acompanhado sistematicamente pela Repórter Brasil.

O lançamento dos compromissos aconteceu durante a 5ª Feira Brasil Certificado, em São Paulo, e também contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, da diretora programática da Fundación Avina, Neylar Lins, e do coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew.


Fonte: http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?31062

Gerar energia sustentável em casa ficou mais fácil

casa com energia solar e eólica
Não é muito comum, mas há casas no Brasil que utilizam energia solar e economizam uma boa grana por mês. Uma nova regulamentação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai facilitar ainda mais aprodução caseira de energia elétrica que resultará em descontos na conta de energia.
Seja na transformação eólica ou solar, um sistema que fornece energia elétrica limpa deve custar entre alguns milhares a algumas dezenas de milhares de reais. Entretanto, pensando a longo prazo, com os descontos mensais, o dinheiro pode ser recuperado e o sistema pode vir a gerar lucro.
De acordo com especialistas, quem quiser construir um sistema deve seguir os seguintes passos:
1. Avaliar o consumo de energia;
2. Avaliar a condição solar e de vento do local (pode-se consultar o Atlas do Cresesb/CEPEL);
3. Definir o percentual da energia consumida que será substituída;
4. Consultar fornecedores de equipamentos.

Governos podem ser obrigados a apresentar plano de metas sustentáveis logo após posse

Presidentes da República, governadores e prefeitos podem ser obrigados a apresentar um plano de metas sustentáveis, noventa dias depois de tomar posse. A obrigatoriedade está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 52, de 2011, que começa a ser debatida esta semana.

Na próxima quarta-feira (18), será formada uma comissão da Câmara dos Deputados, para analisar o texto que foi elaborado por várias organizações não governamentais, como a Rede Nossa São Paulo e o Instituto Ethos.
O empresário Oded Grajew, um dos colaboradores da proposta, acredita que a PEC pode ser apresentada na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho, no Rio.

"Seria uma grande contribuição do Congresso Nacional para a Rio+20. A ONU [Organização das Nações Unidas] tem feito muito pouco para o desenvolvimento sustentável e para combater crises econômicas, sociais e ambientais. A ONU depende do posicionamento de muitos países, mas o Brasil pode mostrar que é possível seguir esse modelo", disse o empresário.

Para Grajew, as metas são essenciais para uma gestão de qualidade e a definição dessas metas pode driblar a falta de informação dos gestores públicos para aplicação de medidas sustentáveis no governo. Esse despreparo vem sendo considerado um gargalo na implementação e evolução de projetos "verdes" na administração pública, como o das compras sustentáveis.

Desde o ano passado, com a revisão de um dos artigos da Lei de Licitações, a sustentabilidade passou a ser um dos critérios para a seleção de compras dos governos, ao lado dos baixos preços e da isonomia. Fernanda Daltro, gerente de Consumo Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, considera a mudança uma revolução, mas reconhece que é preciso preparar os gestores.

"Estamos modificando uma cultura de 20 anos, mas ainda estamos engatinhando. Poucos editais observam critérios de sustentabilidade. Temos um pequeno nicho de compradores que já pensa assim", disse a gerente. Segundo ela, a maior parte dos gestores de compras públicas ainda não sabe como definir e cobrar esses novos critérios nos editais e na seleção.

Fernanda Daltro lembra que o Poder Público é o maior comprador em qualquer país. No Brasil, as compras públicas representam entre 15% e 20% do Produto Interno Bruto [PIB], índice que reflete uma significativa capacidade de indução do mercado. "Se o governo está sinalizando que só compra sustentáveis, o mercado vai se movimentar. A gente pode demandar e a indústria correr atrás para atender, ou a indústria pode se adiantar e conseguir alguma vantagem quando sinalizarmos o interesse", explicou a gerente.

Fonte:

Carolina Gonçalves
Agência Brasil
16/04/2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Novos parques eólicos reduzirão emissões em 16 milhões de toneladas de CO2

Uma vez operando, os cerca de 6,8GW de energia eólica a serem instalados vai reduzir as emissões de CO2 do setor energético brasileiro em 16 milhões de toneladas equivalentes até 2020.
Este cálculo for feito pela presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Élbia Melo. Comparando as projeções de entrada em operação das usinas eólicas com um cenário sem elas, Melo mostrou o ganho em redução de emissões.
Além disso, a presidente da Abeeólica traçou os próximos passos para o setor de energia eólica. Para ela, o setor já está se consolidando e precisar o próximo passo para se firmar o Brasil como pólo tecnológico e para isso precisa gerar conhecimento capacitar a mão de obra local. Segundo a Abeeólica, o setor vai gerar cerca de 17 mil empregos fixos além dos 20 mil que serão necessários para implantar todos os parque contratados até 2016.
O Brasil fechou 2011 com 1,5GW de capacidade instalado em eólicas  eólicas, ou seja, cerca 1,25% da capacidade instalada total do país de 117,4GW. Desde 2005, foram contratados em leilão 6,8GW de projetos eólicos, colocando o Brasil entre os 20 maiores mercados para geração eólica em potência instalada, segundo dados da revista britânica Clenatech Investors Magazine. O potencial eólica Brasileiro, segundo o último atlas eólico é de no mínimo 143GW.
O setor está agora se preparando para montar uma rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação para suprir os geradores e os sete fabricantes de equipamentos eólicos de tecnologia nacional adaptada às condições de ventos e tecnologias locais.
“Há uma dispersão na pesquisa nacional”, disse. “Queremos organizar e evitar coisas que acontecem como pesquisas que estão sendo duplicadas no Rio Grande do Norte e no Rio Grande do Sul”.
Um outro projeto visa estudar meios de complementar a geração de energia eólica com projetos de geração de energia solar foto voltaica. Para ela, as duas tecnologias podem ser produzidas no mesmo local e aproveitar as conexões de redes.